De calor na tua imagem
Em que vejo, por Amor,
No inferno ser miragem.
E miragem, fim do mundo,
Abismo tão profundo,
Estende a tua mão!
Sustém-me o coração!
Mas essa mão estrangula,
Queima-me de dor.
Pecado que me engula,
Eu mergulho por Amor!
Pois eu creio na miragem
Que vejo na viragem
Que se abre ao meu cair...
Mata-me o sentir.
E mata porque eu amo,
Tanto que, se derramo,
Só de Amor me dói.
É sangue que corrói
Quando esvaio no inferno,
De vermelho assim pintado,
Minh'alma no eterno
Poço triste do passado.
João Rio

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